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    CONTROLE DE QUALIDADE

    CONTROLE DE QUALIDADE

    Laélio Córdova Filho

    10/05/2010

     

    ESBOÇO DE IDÉIAS PARA O ESTABELECIMENTO DE CONVÊNIOS ENTRE AS ASSOCIAÇÕES DE MUNICÍPIOS E OS LABORATÓRIOS VOLTADOS A  CONSTRUÇÃO CIVIL DAS UNIVERSIDADES VINCULADAS A ACAFE, E MESMO DAS UNIVERSIDADES ESTADUAL E FEDERAL.

     

    1)      As idéias do estabelecimento destes convênios sustentam-se em quatro pilares:

    1.1)      Equipar os laboratórios com o que existe de mais moderno;

    1.2)      Proporcionar aos alunos aprendizagem verdadeiramente prática sem simulações;

    1.3)      Proporcionar as prefeituras, com baixo custo, condições de controlar a qualidade de suas obras;

    1.4)      Conscientizar as empresas privadas a também utilizarem os laboratórios – proporcionando rendas as instituições de ensino.

     

    2)      Considerando o item 1.3, o nosso grande objetivo, pois é a fórmula que vislumbramos com a menor incidência de custos para acabar ou ao menos minimizar o empirismo nos projetos e nas obras de engenharia – na construção civil de um modo geral.

     

    3)      Para a elaboração correta de projetos necessita-se de prospecções geológicas que demonstrarão a resistência do terreno, a expansibilidade e a liquidez do material. Parâmetros que o projetista utilizará em seus cálculos de dimensionamento de pavimentos e fundações, com o objetivo de assegurar a durabilidade máxima do bem a ser projetado, inclusive tendo informações para se prevenir quanto a riscos de deslizamentos, desmoronamentos e infiltrações.

     

    4)      No desenrolar dos empreendimentos a fiscalização efetuada pelo ente público necessita de diversos ensaios laboratoriais, como: 1) Avaliação da resistência do concreto, se atingiu a preconizada em projeto. 2) A resistência à compressão e à abrasão dos artefatos de concreto utilizados em pavimentações e alvenarias (cada lote que chega a obra deve ser ensaiado, por uma amostra representativa, prevista em norma, e liberado ou não para ser utilizado). 3) O grau de compactação de um aterro. 4) O teor de betume numa mistura asfáltica. Etc.

     

    5)      Para isso as Associações de Municípios em conjunto com as próprias universidades devem:

     

    5.1) Equipar corretamente os laboratórios existentes e os a serem implantados, geralmente nas cidades pólos de cada uma das Associações.

    5.2) Manter e auxiliar na remuneração de profissionais (professores) que sejam os responsáveis em cada laboratório de cada uma das instituições de ensino.

     

    6)      Quem efetuará as coletas e os ensaios, sempre sob a supervisão do professor responsável, serão os alunos dos cursos de engenharia de todas as especialidades e/ou arquitetura das universidades a qual pertence o laboratório, como aula prática.

     

    7) Desta forma todos ganham:

    7.1) Ganham os alunos com o aprendizado prático.

    7.2) Ganham as prefeituras ou as demais entidades promotoras, pois terão:

    7.2.1) Projetos bem elaborados, calcados em ensaios laboratoriais e não mais em empirismo, na maioria das vezes irresponsável.

    7.2.2) Acompanhamentos das obras com ensaios garantindo que os materiais empregados e os serviços realizados estão exatamente de acordo com as especificações e com as normas técnicas brasileiras.

    7.3) Ganham as empresas privadas que terão laboratórios confiáveis e bem equipados à disposição em sua comunidade ou na cidade pólo de sua região.

    7.4) Ganha a sociedade como um todo, porque receberá obras da melhor qualidade possível, profissionais de qualificação técnica mais elevada e os recursos financeiros públicos terão a garantia de que serão bem aplicados.     



    Categoria: Psicologia&Engenharia
    Escrito por Laelio Córdova às 21h46
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    Libertadores....

    LIBERTADORES 2009

    Laélio Córdova Filho

    Redigido em 16/07/09

     

                Há 30 ou 40 anos dizia-se, aqui no Brasil, que o maior exemplo de futebol mal jogado era o praticado na Inglaterra. Na terra da rainha o futebol resumia-se a levantamentos de bolas para a área adversária com o claro objetivo de que os atacantes, normalmente grandalhões e desengonçados, contassem com a sorte de se antecipar aos defensores adversários e transformassem esta jogada banal, simples, sem nenhuma imaginação e criatividade, também conhecida na maior parte do Brasil como “chuveirinho”, em gol. Era este o consenso geral entre os especialistas do futebol brasileiro.                                                                                                                  

    Como diziam os mais antigos, a língua é o chicote da bunda. Por mais que os chamados especialistas não queiram reconhecer o que nós praticamos em matéria de futebol hoje é exatamente o que tanto criticávamos no futebol inglês. O “chuveirinho” é a tônica do futebol praticado por todos os times do futebol brasileiro, a começar pela própria Seleção Brasileira, como vimos recentemente na Copa das Confederações realizada na África do Sul. Salvo duas jogadas individuais dos brilhantes Luis Fabiano e Kaká os demais gols praticamente foram assinalados como conseqüências de levantamentos de bola para a área, com a nítida intenção de seja lá o que Deus quiser, ou seja, pura sorte. É muito pouco para quem sempre se disse o melhor futebol do mundo. Talvez devamos rever esta colocação para: Os praticantes do menos ruim futebol do mundo.

    Nas grandes decisões que envolvam times brasileiros contra times estrangeiros ou mesmo a Seleção Brasileira contra alguma outra seleção, os adversários devem ter quatro preocupações básicas para conter os ataques brasileiros: 1) Montar um rígido esquema defensivo com preocupação de não proporcionar espaços vazios e dificultar as manobras individuais daqueles que têm capacidade para isto; 2) Colocar dois atacantes um de cada lado do campo com a incumbência de impedir que os alas brasileiros ou quem por ali se deslocar efetuem o cruzamento tipo chuveirinho, já no nascedouro da jogada; 3) Preocupar-se em não cometerem faltas sob hipótese alguma próximas da intermediária ou mesmo da área grande deles; e, por último, 4) Ter a mesma preocupação em não ceder escanteios para os times brasileiros.

    Com estas providências e muito preparo físico para não cansar e dificultar possíveis contra ataques qualquer time estrangeiro tem grande chance de conseguir vencer qualquer um dos chamados grandes times brasileiros, por menos talentosos que sejam.

    Um exemplo claro é o do Estudiantes de La Plata diante do Cruzeiro em pleno Mineirão lotado. Quais as opções ofensivas que o Cruzeiro tem contra um time bem armado defensivamente. Nenhuma. A não ser contar com descuido defensivo do adversário. Como o Estudiantes jogou concentrado, cem por cento focado nas minúcias do jogo e não se esgotou fisicamente, só restou ao Cruzeiro tentar superar suas deficiências técnicas, no final, com o máximo de voluntariedade e esforço físico, o que na maioria dos casos revelam-se insuficientes.

    É a união da melhor técnica possível com o que existe de melhor e mais eficaz em termos de preparo físico, ou seja, o resgate do verdadeiro futebol brasileiro a alternativa mais inteligente para minimizar a quantidade de frustrações que ultimamente o futebol vem proporcionando aos torcedores brasileiros, mesmo que os chamados especialistas e os profissionais que vivem do futebol teimem em tentar esconder a realidade com o único objetivo de manter o público sempre interessado, de tal forma que o afastamento dos anunciantes de suas transmissões e, por conseqüência, o questionamento do trabalho deles não ocorram. Apontar alternativas a esta forma medíocre de jogar, até para valorizarem-se profissionalmente, parece ser algo que nossos “especialistas”, infelizmente, não reúnem competência para formulá-las.   



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 19h31
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    Faltam Engenheiros....

    FALTAM ENGENHEIROS NO GOVERNO

    Stephen Kanitz

     

    Poucas coisas têm sido tão ridicularizadas nos últimos tempos, em todo o mundo, quando a prática da Economia por economistas alojados no poder. As chacotas se tornaram quase que diárias, e famosos economistas, como John Kenneth Galbraith, Delfim Netto, Mário Henrique Simonsen e Roberto Macedo, já soltaram farpas contra seus colegas de profissão. Talvez seja por isso que o número de candidatos para a carreira de economista venha caindo, ano após ano, na lista de vestibulares.

    Estamos falando, obviamente, dos economistas governamentais, que são aqueles que ainda acreditam na Ciência Econômica. Os economistas empregados no setor privado perceberam ainda cedo que muito pouco do que aprenderam da Ciência Econômica é usado nas suas atividades profissionais. São economistas por causa do diploma, não porque acreditam piamente nas teorias aprendidas nas universidades. Mesmo assim, apesar de toda a incompetência e de reconhecimento dessa incompetência pela sociedade, os economistas governamentais continuam a ser o grupo de profissionais mais poderoso dentro do governo. Qual a razão de tanto poder após tantos fracassos é um mistério insondável.

    Os seres humanos se dividem em dois grandes grupos: os quantitativos e os verbais. Os primeiros são bons em números, e os segundos, hábeis na fala. É a grande divisão do ensino: exatas versus humanas, clássico versus científico. Os bons de fala irão tornar-se advogados, jornalistas, sociólogos, economistas governamentais, políticos. Tendem a ser românticos e de esquerda, a acreditar na autoridade da palavra e nas soluções de cima para baixo. Os bons em números irão tornar-se engenheiros, cientistas, químicos, empresários, contadores, administradores. Tendem a ser pragmáticos, apolíticos e a acreditar nas soluções de baixo para cima. Falam mal, escrevem pior ainda, têm pouca influência política.

    Ao contrário do que se pensa, os economistas governamentais não são bons em números. Eles fazem parte do grupo verbal da sociedade. Normalmente falam bem e escrevem melhor ainda. Seus artigos, porém, são recheados de analogias, não de números. Observem, em seus artigos assinados, que a argumentação é verbal, teológica, com poucas fórmulas, deduções, números, muito menos projeções de resultados. Seus artigos primam pelas analogias verbais, não pela quantificação numérica. “Somos um Boeing sem rumo”; “precisamos de um choque de credibilidade”, “política do feijão-com-arroz”. Seus planos não são quantificados - são mais um jogo de palavras do que planos operacionais concretos. Por isso não dão certo.

    A maioria dos economistas governamentais acredita que Lotus 1-2-3 é uma posição de ioga, e não uma planilha eletrônica. Um dos poucos economistas governamentais brasileiros que entendem de números, Mário Henrique Simonsen, tinha sólida formação em Engenharia. É a exceção que confirma a regra. Eles são tão numerosos porque nosso ensino tem sido voltado aos verbais. Afinal, é mais barato formar um verbal do que um quantitativo. Bastam um professor e um quadro-negro. Não é por menos que o Brasil forma mais economistas do que engenheiros, quando no Japão a relação é oposta a esta e é de 100 para 1.

    Apesar de desprovidos das capacidades necessárias para comandar uma economia, dominam nossas vidas. Primeiro, porque os economistas governamentais falam na mesma frequência dos políticos e são, por isso, seus principais assessores. Empolgam os políticos pelo discurso e pela visão utópica de que podem consertar o mundo de cima para baixo. Sua visão é lírica como a de um poeta, e foi justamente na gestão de um presidente-poeta que os economistas governamentais mais influência tiveram. A bem da verdade, os economistas governamentais erram em seus planos não por sadismo, nem por ignorância, mas por incapacidade genética. São pessoas verbais.

    Precisamos deixar de ser platéia e ouvir menos os economistas, e aí se inclui a imprensa, e ouvir mais as outras profissões. Existiam várias soluções alternativas para a inflação brasileira, vindas de engenheiros, financistas, empresários, psicólogos e contadores, que não alçaram vôo por falta de ouvidos. As outras profissões precisam sair da toca e preencher esse enorme espaço ocupado exclusivamente pelo economista. O fato de não ser tão verbal quanto os economistas têm levado muitos a se omitir irresponsavelmente em suas contribuições. A questão que se coloca é esta: mexam-se ou serão mexidos.

    Stephen Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br)

    Publicado na Revista Exame, Editora Abril, de 27 de junho de 1990, página 122



    Categoria: Psicologia&Engenharia
    Escrito por Laelio Córdova às 23h14
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    Fiasco

    O FLAMENGO E O FIASCO

    Laélio Córdova Filho

    23/02/2009

     

     

                Parece que ultimamente estas duas expressões do título são sinônimas ou andam sempre juntas. Ou é o América do México, ou é o Atlético Mineiro e o Goiás ou, agora é o Resende. Até onde isto vai continuar a se arrastar? Também não é para menos, numa semana em que o treinador atual vem para a imprensa dizer que o que interessa é resultado, o que passa para a história é a vitória não a forma como o time jogou, nitidamente parafraseando o que Murici recentemente (próximo das finais do campeonato brasileiro do ano passado) proferiu: - quem quiser ver espetáculo vá ao circo, porque o que nós queremos é o resultado. Ele esqueceu que se for ao circo ele vai assistir a um espetáculo circense.

                Mas o Murici até pode falar esta bobagem, porque o time dele é o que pratica o futebol menos ruim entre os brasileiros nestes últimos anos. Mas que é um campeãozinho que não empolga isto é verdade. E o ingênuo do Cuca vai pela mesma linha de raciocínio, sem perceber que o time do Flamengo joga mal porque é ruim mesmo, é mal montado e faz tempo, não é só por culpa do Cuca. Obviamente jogando o que vem jogando sempre estaremos – nós torcedores do Flamengo – esperando por quem fará o papel de algoz (o América, o Atlético e o Goiás até dá para entender, mas o Resende é dose para elefante).

                O que é pior as justificativas do Sr. Kleber Leite são as mais esdrúxulas possíveis, justamente do homem que deveria ser o mentor, o condutor da formação de um grande time. Vem a público com obviedades do tipo: “ninguém é capaz de prever o resultado do próximo jogo” ou “quem viu o Zico jogar viu, quem não viu não vai ver mais” como se isto fosse a preocupação da torcida do Flamengo, sem falar do time ruim, feio e caro que montou tempos atrás, e até hoje o Flamengo está pagando dividendos por aquela aventura destrambelhada.

     O que todos nós queremos é que o Flamengo defina um estilo de jogo, de preferência que resgate aquele futebol cadenciado e envolvente que caracterizou o Flamengo vencedor e um dos melhores times de futebol de todos os tempos. É óbvio que não mais teremos Zico para dar o toque de Midas que aquele time genial tinha, mas podemos perfeitamente ver um time ajustadinho, tocando bem a bola, marcando com eficiência e ganhando ao natural, até pelo nível dos adversários tanto aqui no Brasil como no exterior não ser aquilo tudo que alguns apregoam ou imaginam.

    No mundo se existe muito são dez os times superiores aos nossos grandes do momento (São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians, Inter, Flamengo, que acredito estejam melhores que os demais, não significando que um destes obrigatoriamente vai ser o campeão brasileiro deste ano, até torço para que isso não ocorra) que são: Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Liverpool, Arsenal, Chelsea, Internazionale, Milan, Juventus, Bayern de Munique. E nenhum destes encanta tanto quanto já encantaram em algum momento da história.

    Portanto não é tão difícil montar um time bom e competitivo, aqui no Brasil, basta que em primeiro lugar a diretoria entenda de futebol, não deixe para o treinador a incumbência de montar o time ou então contratem um manager tipo o do Manchester United. No Flamengo cada treinador que entra é um rol de invencionice que não tem nada a ver com a filosofia de jogo que o consagrou como grande time. Eles não têm a menor idéia como montar um time parecido com aquele que praticava o futebol sem se preocupar com o adversário seja ele quem fosse, jogava sempre no mesmo estilo porque acreditava na eficiência dele.

    Nos últimos cinco anos o Flamengo já teve a oportunidade de montar times com eficiência bastante parecida com o time do Zico e por pura incompetência fica nesta indefinição eterna, proporcionando vexames em cima de vexames e acumulando prejuízos que somados praticamente inviabilizam o clube.

    Um bom time que poderia ter sido extraído dos quantos jogadores que já vestiram a camisa do Flamengo nestes últimos anos seria sem dúvida este: Bruno; Leo Moura, Fábio Luciano, Rodrigo e Renato Abreu; Júnior e Jônathas; Ibson, Souza, Obina e Renato Augusto. Se comparado com o time do Zico, teremos: Bruno e Raul, praticamente do mesmo nível; Leo Moura e Leandro, grande vantagem para Leandro; Fábio Luciano e Marinho, melhor o Fábio Luciano; Moser e Rodrigo, com a bola nos pés melhor o Moser, mas como zagueiro melhor o Rodrigo; Júnior e Renato Abreu, muito melhor o Júnior Capacete, mas não menosprezem a eficiência do Renato Abreu que sempre deixava seus golzinhos sejam em cobranças de faltas ou mesmo com a bola rolando; Andrade e Júnior, obviamente melhor o Andrade, mas Júnior tem uma forma de jogar bastante semelhante a do Andrade; Adílio e Jônathas, tecnicamente se equivalem, mas o Jônathas marca melhor; Ibson e Tita, é discutível, mas eu aposto mais no Ibson; Zico e Souza, evidentemente é o grande desequilíbrio dos dois times; Nunes e Obina, o primeiro mais regular e, finalmente, Lico e Renato Augusto, dá para considerar um empate ou uma leve vantagem para o Lico.

    Nesta comparação vê-se que a coisa não é tão absurda assim. Se no lugar do Souza tivéssemos o Kaká, a coisa já seria mais parecida. E convenhamos revelar um craque com a qualidade do Kaká é bem menos difícil do que revelar um novo Zico. E este time apontado, mesmo sem o Kaká, seria favorito em praticamente todos os campeonatos que viesse a participar atualmente. O grande problema mesmo é a atual diretoria do Flamengo não entender de futebol. 



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 21h21
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    A Morte do Talento

    A MORTE DO TALENTO

    Laélio Córdova Filho

    31.01.2009

     

                Numa destas tantas mesas redondas sobre futebol que acontecem na televisão brasileira, um dos participantes colocou a sua indignação pela atitude dos treinadores da Copa São Paulo de Futebol Júnior, que ocorreu recentemente. Segundo ele, e sabemos que é o normal no futebol brasileiro, inclusive nos times que disputam a Série A, a maioria dos treinadores reagia de uma forma bastante agressiva sempre que um de seus comandados partia para uma jogada individual, seja para tentar furar o bloqueio das defesas adversárias, ou para se posicionar melhor para dar seqüência à jogada, ou para simplesmente manter a posse da bola.

                As mais amenas das manifestações eram, em altos brados, solicitar que o autor da tentativa individual largasse a bola; passasse de primeira; não atrasasse a jogada; parasse de enfeitar os lances; fizesse a ação, geralmente ofensiva, da forma mais simples possível.

                Na opinião do participante, a qual concordamos plenamente, esta atitude dos treinadores significa incentivar a morte precoce de um possível talento já no seu nascedouro. Em vez de serem incentivados a desenvolverem a sua criatividade o seu talento os jovens valores são obrigados a se especializarem nas jogadas óbvias, muitas delas facilmente neutralizadas se a defesa adversária estiver bem posicionada.

                Já outro participante da mesa redonda, posicionou-se em defesa dos treinadores, pois, acredita, que como o torneio tem muita repercussão os jovens podem se deslumbrarem e quererem brilhar mais do que colocarem os seus esforços em função do time, do conjunto. E cabe aos treinadores freiarem este ímpeto, colocando-os dentro das suas realidades.

                Não vejo sentido no argumento deste segundo participante, porque a função de treinador é definir o melhor conjunto dentro do grupo que ele lidera para colocar em campo. Ele tem que saber quais as características individuais dos seus comandados e incentivá-los a colocarem em prática suas melhores qualidades, sempre em função do melhor desempenho possível do conjunto. Caso nos treinamentos e nos jogos perceba-se que as características de determinado indivíduo não agregam valor, não somam, não melhoram o desempenho do conjunto, ou até mesmo prejudicam, é de responsabilidade única e exclusiva do treinador sacar este indivíduo da equipe.

                Não se entende porque no desenrolar do jogo fica ele a bradar ofensas contra os seus comandados se ele é o responsável pela montagem daquele conjunto. Se o conjunto não funciona e por culpa de um indivíduo, este indivíduo deve ser sacado da equipe. Se os comandados não obedecem e não realizam nada daquilo que treinam a semana inteira, a culpa continua sendo do treinador. Neste caso, por não demonstrar cabalmente capacidade para comandar esta equipe, tanto técnica como de total ausência de espírito de liderança ou, principalmente, a segunda hipótese sendo conseqüência da primeira. Por isso ele fica a gritar ao lado do campo nos momentos dos jogos, não como incentivo, tão necessário, mas a proferir impropérios por erros próprios de quem se propõe a realizar ações que demandam certo risco.

                Ainda mais, que estas ações quando dão certas proporcionam soluções que o conjunto por si só não conseguiria, por exemplo: abrir espaços em uma defesa bem postada.   



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 15h40
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    Plano de fiscalização

     

    ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PLANO DE FISCALIZAÇÃO

    para pavimentação com CBUQ

     

    AOS ENGENHEIROS E ARQUITETOS CONTRATADOS ESPECIALMENTE PARA A FISCALIZAÇÃO DE OBRAS OU DO QUADRO PRÓPRIO DAS  ENTIDADES PROMOTORAS

     

                O objetivo deste documento é fornecer diretrizes mínimas das técnicas de fiscalização de obras de pavimentação de ruas. Incentivar a sua prática para aperfeiçoá-las até que atinjam estágios próximos ao ideal.

                A consciência da importância da fiscalização deve partir em primeiro lugar do profissional habilitado para o seu exercício. Depende dele com seu esforço, dedicação e entusiasmo convencer a sociedade que a sua atuação é fundamental para que os recursos financeiros públicos e/ou privados sejam bem aplicados.

                O importante é entender que o fiscal não está presente na obra para simplesmente vasculhar e impedir erros, criando um clima de animosidade e discórdia, propício ao fiscalizado, na primeira oportunidade, burlar as suas orientações.

                Atuar antecipadamente, no início de cada atividade, é o grande segredo de uma fiscalização bem-sucedida. Dialogando com os fiscalizados, não só aceitando sugestões, desde que não firam a técnica correta, mas formando parcerias para conseguir pequenos consensos e a fidelidade deles com o objetivo final de realizar uma obra bem feita, com qualidade, com segurança máxima e que ocorra dentro do prazo e dos custos previstos.

     

    PASSOS PARA OS SERVIÇOS DE FISCALIZAÇÃO:

    1.           Estudar minuciosamente o projeto, havendo dúvidas ou inconsistências consultar e/ou informar o projetista;

     2.     Verificar a adequabilidade do projeto a realidade do local da obra, exemplos:

     a) Boca-de-lobo (OAC e/ou OAE) posicionada em ponto que não permite a captação de águas pluviais (ex. divisor de águas, superelevações,etc), portanto sem funcionalidade, ou propícias a serem quebradas;

      b) Cortes e aterros previstos em desenhos, notas de serviços, planilhas de cálculo e memoriais descritivos para atender as rampas e curvaturas preconizadas em norma;

      c) Se o plani-altimétrico confere com a realidade, nos quesitos:

      c.1)   A largura existente do trecho é suficiente para implantação, sem atingir muros, cercas, posteamento e se há espaço para as calçadas;

      c.2) Se não deixou de contemplar elementos pré-existentes, como: pavimentações, bocas de lobo, tubulações, sinalizações, etc.

      d) Verificar as elevações do pavimento acabado proposta com a dos pisos das residências contíguas.

    3. Apresentar relatórios mensais aos proprietário da obra, em que conste todo o tipo de assunto de interesse dos serviços, como: fotografias, equipamentos na obra, críticas, apontamentos, advertências, rejeições, sugestões ao serviço, equipe efetiva presente na obra, alterações, entrevista com moradores locais, condições climáticas, obediências aos prazos estabelecidos e demais informações de interesse da obra.

              

    4.  Cobrar do empreiteiro os procedimentos (normativos) de todas as tarefas que compõem os trabalhos contratados. Caso não disponham, o fiscal deverá impor os seus. Ainda que a obra não comporte remunerar fiscais munidos de todos os procedimentos necessários, caberá ao profissional contratado elaborá-los sucintamente e em consenso com a equipe executora, sempre se submetendo, ambos, ao que preconiza o projeto e as normas brasileiras.

     

    5. Para a obtenção do consenso do item 4 serão necessárias reuniões específicas, registradas por relatórios finais (atas) - que deverão ser arquivadas e colocadas à disposição da entidade promotora/proprietário -, antes de iniciar cada tarefa e caso persistam inconsistências no projeto, convocar o projetista.

     

    6      Exemplos de atividades cuja forma de execução deverão ser consensadas previamente:

    6.1      Locação da obra, obedecendo responsavelmente a Nota de Serviço;

    6.2      Locação e nivelamento das tubulações;

    6.3      Locação e nivelamento das caixas de passagens e bocas-de-lobo;

    6.4      Alinhamento e nivelamento das escavações;

    6.5      Os cortes / aterros e seus respectivos ensaios laboratoriais, bota-fora, sinalização de obra;

    6.6.     Verificar, sempre que obrigatório por ensaios laboratoriais (em casos de obras muito pequenas, por meio expedito, in loco, de forma a que o fiscal tenha certeza que a ação tomada é a mais indicada para a situação):

    6.6.1       Se os materiais de escavação servem para o aterro (tubulação/leito da rua);

    6.6.2       Se as valas necessitam de escoramento, Se a qualidade dos materiais de empréstimo para aterro, se for o caso, são os ideais ou não;

    6.6.3       Se o lastro de brita da tubulação será executado. Caso não, e sejam previstos em desenho e no orçamento, descontar nas medições de serviços;

    6.6.4        A colocação da tubulação em relação ao projetado, se rejuntada ou não, caimentos, entradas e saídas das bocas-de-lobo - se não previstos em projeto ver: a) a necessidade de implantar dissipadores de energia para grandes declividades; b) se em todos os finais de trecho foram previstas bocas de bueiros, com laje de fundo e alas;

    6.6.5       A construção das bocas-de-lobo:

    6.6.5.1.  Lastro de brita, se previsto;

    6.6.5.2. A construção da laje de fundo;

    6.6.5.3. Paredes, conforme o especificado, não podendo ser de material diferente de blocos de concreto com viga de respaldo para suportar a laje-tampa ou de tijolos maciços;

    6.6.5.4. A construção da laje tampa, nivelada pelo topo do meio-fio e calçada futura;

    6.6.5.5            Revestimento interno e caimentos no fundo da caixa;

    6.6.5.6            Orientar, fiscalizar possíveis danos ao meio-ambiente, causado por ligações clandestinas de esgoto, fomentando a revisão e utilização de sistemas eficazes de tratamento;

    6.6.5.7            Verificar o ponto de entrega do pluvial, se haverá condições de receber a carga, em caso de valas, se precisam de limpeza, etc.;

    6.6.5.8            Verificar a necessidade de passagem de tubulação por terrenos particulares ou áreas de preservação, tomando a devida precaução jurídica para tanto;

    6.6.5.9            Aterro do meio-fio (caso da não execução simultânea do passeio; verificar espelho que ficará remanescente no bordo interno);

    6.6.5.10        Corte e aterro da caixa da rua (terraplenagem);

    6.6.5.11        Verificação da existência de solos moles, caso necessário substituí-los por empréstimos de solos adequados;

    7.        Regularização do subleito:

    7.1.     Acompanhar os corte e aterros necessários com compactação dentro da umidade ótima e todos os demais ensaios laboratoriais para certificar-se que a resistência do solo é a considerada em projeto, caimento dos eixos para os bordos, superelevações.

     

    8.         Execução da sub-base:

    8.1  Verificação da qualidade e especificação do material - com a realização de ensaios laboratoriais sempre que solicitado em projeto;

    8.2  Verificação da espessura final após a compactação do material;

     

    9          Execução da base:

    9.1  Verificação da qualidade e especificação do material - com a realização de ensaios laboratoriais sempre que solicitado em projeto;

    9.2   Verificação da espessura final após a compactação do material:

     

    10              Execução do revestimento final:

    10.1.     Imprimação;

    10.1.1.  Verificar a quantidade de primer a ser utilizada (l/m²);

    10.1.2.  Se necessário providenciar limpeza com varrição da imprimação;

    10.2.     Pintura de Ligação:

    10.2.1.  Se necessário, verificar quantidade de emulsão utilizada (l/m²);

    10.2.2.  Se não, descontar da planilha de medição, ou seja, não considerar para pagamento;

    10.3.     Execução da camada asfáltica (CBUQ):

    10.3.1.  Verificar temperatura da chegada da mistura no local da execução, conforme as Normas brasileiras;

    10.3.2.  Verificar a altura de lançamento da lâmina de distribuição da vibroacabadora;

    10.3.3.  Verificar e acompanhar a distribuição e compactação da massa;

    10.3.4. Verificar a espessura do revestimento final;

    10.3.5.  Solicitar ensaios laboratoriais para a verificação da espessura, teor de CAP e a densidade do CBUQ;

    10.3.6. Emitir boletim de medição do revestimento final levando em consideração a densidade do material, ou seja, recalcular o orçado caso as densidades não coincidam.

     

    11.         Execução do meio-fio:

    11.1.     Opção sobre a sub-base e confinando a base e o revestimento final entre eles, ou seja, execução anterior à base e a camada asfáltica;

    11.1.1.  Solicitar o realinhamento e a prumada após a compactação do revestimento final;

    11.2.     Opção, cortar o asfalto:

    11.2.1.  Cortar a camada asfáltica e a base para a colocação do meio-fio;

    11.2.2.  Conferir a largura do pavimento;

    11.3.     Verificar dimensões , qualidade e resistência, conforme projeto;

    11.4.     Conferir o alinhamento e o prumo.

    11.5.     Assegurar o perfeito aterro para escoramento e apoio do meio fio.

     

    12.         Boca de lobo:

    12.1.     Execução da complementação da boca-de-lobo com colocação da grelha na sarjeta;

     

    13.         Controle do prazo:

    13.1.     Solicitar e/ou colaborar com o empreiteiro para a elaboração do cronograma físico da obra, com as datas de início e fim de todas as atividades;

     

    14.      Recursos a serem utilizados:

    14.1.   Prever no cronograma físico, para cada uma das atividades da obra:

    14.1.1.O quantitativo dos recursos humanos, especificando suas respectivas categorias profissionais;

    14.1.2.O tipo, a quantidade e as datas em que os materiais serão disponibilizados na obra;

    14.1.3. As datas de disponibilização dos equipamentos necessários á execução da obra;

    14.2.   Não permitir variações nos quantitativos dos serviços de forma a alterar para maior ou para menor os custos financeiros previstos, sem prejuízos da qualidade dos serviços;

     

    15.      Ponto de controle do prazo:

    15.1.   Solicitar ao empreiteiro e/ou contribuir para a programação semanal de serviços, extraída do cronograma físico global;

    15.2.   Toda segunda feira de manhã marcar reunião de avaliação do executado na semana anterior, com registro em relatório (ata) - que deverão permanecer arquivadas na obra e a disposição dos proprietários;

    15.3.   Caso tenha ocorrido atraso nas tarefas, tomar providências para o atraso ser recuperado nas semanas subseqüentes;

    15.4.   Solicitar que a empreiteira mantenha atualizado um diário de obra para registro de todas as ocorrências, como chuvas, efetivo de mão de obra presente no dia, tarefas executadas e previstas para o dia imediatamente posterior, chegada de materiais e equipamentos;

    15.4.1. Os registros das chuvas devem conter o horário de início e término e comentário sobre a intensidade da incidência, se foi impeditiva de todos os trabalhos ou parcial.

    Quais os que pararam e quais os que tiveram continuidade normal;

    15.4.2. Registrar atrasos na entrega de materiais e equipamentos e suas implicações, bem como as providências tomadas para recuperar o atraso;

     

    16.      Segurança:

    16.1.   Solicitar para empreiteira ou elaborar em conjunto, procedimentos de segurança para execução da obra que atendam as Normas de segurança do Brasil;

    16.2.   Assegurar que os procedimentos elaborados serão seguidos integralmente;

     

    18.     Organização e Limpeza:

    18.1    Cobrar e/ou colaborar na elaboração de um layout de armazenamento de equipamentos e materiais de forma a tornar a logística da obra a mais funcional possível;

    18.2    Cobrar e/ou colaborar na elaboração de procedimentos que imponham o máximo de higiene e limpeza na obra, de forma a minimizar os riscos de acidentes e agressões ao meio-ambiente.

    19. A fiscalização deverá ocorrer durante todo o desenvolvimento da obra e a jornada de trabalho diária ideal é, principalmente no caso de ser utilizado um auxiliar de fiscalização devidamente autorizado pelo profissional legalmente habilitado,  em período integral, devendo o fiscal habilitado estar presente nos momentos significativos.

    20. Para que ocorra qualquer alteração no projeto deverá ser obtida a anuência prévia do projetista e proprietário.



    Categoria: Psicologia&Engenharia
    Escrito por Laelio Córdova às 16h33
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    Correntes de Opiniões

    CORRENTES DE OPINIÕES

    Parte I

    Laélio Córdova Filho

    Redigido em 10/08

     

                É longo o tempo que acompanho o futebol, tanto como “peladeiro” e hoje somente como espectador. Ouvi inúmeras vezes que o futebol de antigamente era melhor do que o atual, isso desde a minha adolescência, o que já faz mais de trinta anos. Ouvi inclusive meus tios afirmarem que futebol de verdade era aquele que jogavam em campos esburacados, ao contrário dos campos perfeitamente gramados e lisinhos de hoje... Não percebiam eles que o que praticavam era futebol-cross não o futebol que exige campos em perfeitas condições para a sua prática.

                Quem gosta de futebol, juntamente com quem trabalha e vive do futebol formam um universo, por sinal muito significativo da sociedade brasileira, em que grande parte foi ou é peladeiro. Destes, sem medo de errar, a imensa maioria é formada por “bolas murchas”, no sentido exato do que o programa Fantástico da rede Globo passa para o seu grande público todos os domingos à noite.

                O “Bola Murcha” procura compensar a sua falta de boa técnica, de jeito, com muita vontade e disposição, e só entende possível vencer o adversário se esforçando mais do que este. Já os “Bolas Cheias” incrivelmente minoritários acreditam mais que o desempenho técnico superior ao do adversário é o caminho mais fácil para sobrepujá-lo.

                Ambos apóiam-se em bons argumentos para defenderem suas convicções, porém até que ponto podemos dissociar de qualquer atividade humana a garra, o espírito de luta, a vontade de vencer, a auto-estima, a perseverança, etc. Estes valores são obrigatórios a tudo que o ser humano se proponha a fazer, inclusive no futebol,  não sendo assim ele estará bem mais próximo do fracasso do que da vitória.

                No futebol de elite do Brasil os torcedores sempre levaram estas duas correntes de pensamento ao extremo. A majoritária favorável ao futebol-força (o da garra, da atitude vencedora, etc.) e o futebol-arte (o da técnica aprimorada).

                Não posso testemunhar sobre o futebol anterior as eliminatórias para a Copa de 1970, pois não vivi esta época, ou ao menos não tinha consciência do que se passava. Nestas eliminatórias e na Copa de 70, propriamente dita, a grande vencedora foi a corrente defensora do futebol-arte, do futebol altamente técnico. A lógica indicava que esta forma de jogar passaria a ser a aceita como hegemônica, e, pelo menos, os brasileiros passariam a considerá-la unanimemente como a forma ideal de se praticar o futebol.

                Ledo engano, a corrente defensora do futebol-força não aceitou jogar a toalha de forma alguma, procurava minimizar o feito contrapondo com vitórias das seleções da Alemanha, da Itália e do Uruguai em Copas anteriores, menos brilhante mas de igual forma convincentes, argumentavam eles.

                Mas a grande tábua de salvação dos defensores do futebol-força veio logo na Copa seguinte, a de 1974. A Holanda deslumbrou o mundo futebolístico praticando o chamado futebol-total, que consistia num ritmo alucinado de marcação cerrada em todas as áreas do campo, não permitindo sequer que o adversário conseguisse se reagrupar e esboçar qualquer tipo de reação. Era a suprema vitória do esforço (força), da garra, da vontade, da determinação, do desprendimento sobre a técnica. Nem mesmo a derrota na final da Copa abalou esta convicção.

               



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 21h52
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    Correntes de Opiniões

    CORRENTES DE OPINIÕES

    Parte II

    Laélio Córdova Filho

    Redigido em 10/08

     

     

    A partir daí a confusão instalou-se nas cabeças dos dirigentes e comissões técnicas Brasil afora. A direção da CBD da época, hoje CBF, nomeou um teórico e estudioso do futebol, o falecido Cláudio Coutinho, para elaborar novas estratégias para a seleção brasileira e consequentemente para todo o futebol brasileiro, porque nossas convicções estavam erradas, segundo a corrente de pensamento majoritária.

                Vimos em 1976, o Cruzeiro de Belo Horizonte conquistar a Copa Libertadores da América jogando o mais fino e autêntico futebol-arte, porém com defeitos. Pela carência de bons jogadores para a defesa foi derrotado pelo excelente Bayern de Munique, base da seleção da Alemanha que derrotou a Holanda na Copa de 74, no mundial interclubes. Conseqüência disto o presidente Felício Brandi, responsável pela revelação dos extraordinários Tostão, Dirceu Lopes, Zé Carlos e Natal, resolveu desmanchar o time. Alegando que o futebol praticado estava superado  trocou jogadores como Palhinha e Jairzinho por Eli Carlos e Neca (alguém lembra deles? – eram os grandes nomes do futebol-força brasileiro de então). A partir daí o grande  Cruzeiro amargou um longo período de coadjuvante no cenário do futebol brasileiro.

                Mesmo com o fiasco na Copa de 1978, Cláudio Coutinho passou a treinar o Flamengo. Deparou-se com um extraordinário elenco em formação, vindo a  maioria das divisões de base. O óbvio era por para jogar aquela garotada junto com a experiência de alguns veteranos como Paulo César Carpegiani. Por acaso e tão somente por isso, Coutinho montou o melhor meio-de-campo que eu já vi jogar, formado por Andrade, Carpegiani e Zico. Numa demonstração de total despreparo, o treinador que não conseguiu visualizar que o grande diferencial do Flamengo e o seu melhor esteio para dominar e controlar qualquer adversário naquele campeonato brasileiro de 1978 era justamente o seu meio-de-campo, num jogo decisivo sacou Andrade com a idéia de tornar o time mais ofensivo e desperdiçou o primeiro título nacional do Flamengo já naquele ano.

                Por quase uma década o Flamengo foi o grande time do Brasil. Não fez melhor porque infelizmente os treinadores que por lá passaram não enxergaram o óbvio, com o precoce afastamento de Carpegiani dos gramados, coube a Adílio ser o companheiro de Andrade e Zico no meio-de-campo. Adílio, apesar de excelente com a bola nos pés era muito dispersivo na marcação e sobrecarregava o Andrade - ninguém em seu juízo perfeito desejaria que o Zico mudasse seu estilo de jogo, para se tornar um marcador. A solução para este problema era simples, era só passar o Adílio para a lateral direita e o Leandro (marcava bem e apoiava bem) para o meio-de-campo. Não sei se a lateral direita se tornaria um problema, mas tenho certeza que o meio-de-campo voltaria a ser o melhor do mundo.

                Como Coutinho e seus “overlapings e pontos futuros”  foi um fracasso, os dirigentes da seleção brasileira radicalizaram novamente, desta feita para o outro lado, convocaram Telê Santana com suas idéias, na época de futebol-arte pura – já vimos acima o fracasso do futebol-arte com o Cruzeiro sem defesa e do Flamengo só com um volante de contenção. Não deu outra, foi jogar a Copa de 1982 sem volante de contenção – diga-se de passagem, não basta ser somente de contenção tem que ser também altamente técnico para ser titular da seleção brasileira -, optou por Cerezo e Falcão, os dois altamente técnicos, mas sem cacoetes de marcadores.



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 21h51
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    Correntes de Opiniões

    CORRENTES DE OPINIÕES

    Parte III

    Laélio Córdova Filho

    Redigido em 10/08

     

     

    Em 1986, foi a vez de Telê radicalizar erroneamente, mais uma vez, se não deu com dois volantes altamente técnicos, vamos jogar com dois volantes somente de marcação e fracos tecnicamente. Em 1990, experimentamos pela primeira vez jogar com três zagueiros. Não sei se houve boicote ao Lazaroni que não era aceito pela corrente adepta ao futebol-força e nem tinha qualquer relação com a corrente adepta do futebol-arte. Aparentemente não tinha apoio de ninguém. Houve, é verdade, uma grande gritaria contra a utilização de três zagueiros, por parte da imprensa.

                Em 1994, Parreira montou um time também muito confuso, praticamente só no início da Copa é que ele achou a formação que possibilitou uma coesão mínima que se pretende de uma seleção brasileira competitiva. Insistia com a presença do Raí como titular, mas o encaixe do time só veio com a efetivação do Mazinho como o terceiro homem do meio-de-campo. Compensou com seu característico toque de bola preciso e excelente noção de espaço e posicionamento a falta de objetividade do Zinho e deficiência técnica no apoio de Dunga. Mauro Silva em raríssimas oportunidades aventurou-se em abandonar a frente da zaga, funcionando como um terceiro zagueiro, num aperfeiçoamento da idéia original do Lazaroni em 90.

                O time era, na maioria, formado por jogadores praticantes do futebol-arte, se não vejamos: Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Leonardo, Zinho, Mazinho, Bebeto e Romário priorizavam o toque de bola, a antecipação sem falta, a triangulação, a cadência, o drible, permanecer o máximo possível com a posse da bola que são as principais características deste estilo de jogar. Já Mauro Silva, Dunga e Branco a prioridade é o combate sem tréguas ao adversário, características principais dos praticantes do chamado futebol-força.

                Para compensar o fato de serem minoria no time que reconquistou a hegemonia do futebol mundial a corrente de pensamento majoritária e a mais influente nos meios de comunicação do Brasil, elegeu Dunga como o grande herói da conquista, como o grande responsável, como o grande líder, iniciando aí a famosa “Era Dunga”.

                Em 1998, sob o comando do Zagalo a era Dunga fracassou. Fomos a uma final contra um time que tinha uma excelente defesa e não criamos uma única oportunidade de gol. Na final em 94, também não conseguimos furar o bloqueio italiano, mas criamos situações perigosas e tivemos maior volume de jogo. Talvez esteja aí o prenúncio de nossas dificuldades atuais.

                O Zagalo é um caso a parte, difícil de entender, dizem que é um grande vencedor, porque venceu duas Copas como jogador, uma como treinador e uma como auxiliar técnico. Por outro lado, perdeu duas como técnico e uma como auxiliar técnico. Como jogador, sem dúvidas, foi um vencedor, agora como técnico ele perdeu mais do que ganhou. E a Copa que ganhou como treinador  já recebeu um time praticamente formado, com a base pronta, treinado e que tinha feito uma excelente fase classificatória para a Copa. Nas duas vezes que ele teve que montar o time, simplesmente não convenceu. É verdade que mesmo que ele tivesse montado a força máxima do futebol brasileiro, o que não foi o caso, na Copa de 1974, dificilmente ele a ganharia, pela excelente performance da Holanda e pelo excelente time que a Alemanha dispunha na ocasião.

               



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 21h50
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    Correntes de Opiniões

    CORRENTES DE OPINIÕES

    Parte IV

    Laélio Córdova Filho

    Redigido em 10/08

     

    Talvez o Zagalo seja uma espécie de síntese da confusão que é o nosso futebol. Foi forjado no futebol-arte de 58 e 62, como coadjuvante, é bem verdade. Foi vencedor em 70 com uma seleção fantástica. Foi vítima do carrossel holandês em 74, comandando um time muito longe do futebol-arte apresentado em 70, mesmo descontando o fato de não contar com Clodoaldo, Gérson, Pelé e Tostão, mas isso não invalida que ele montasse uma equipe pelo menos encaixada, harmônica, coesa. Em 98, mesmo tendo como referência a seleção de 94, ele só fez piorá-la. Se for perguntado em que corrente de opinião ele se posiciona, provavelmente dirá que é partidário da união da força com a arte, o hibridismo ideal, que na prática poucas vezes vimos.

                Em 2002, a corrente majoritária fez-se ouvir novamente: “Se não temos mais Dunga para comandar o meio-de-campo, ganhando ou perdendo – aliás, perdeu em 90 e 98 e só ganhou em 94 -, não importa, ele é e será sempre o nosso ícone, temos que achar um substituto”. Quem melhor que o também gaúcho Felipão, mesmo que fora do campo. De qualquer forma o Felipão também acertou o time no início da competição, exatamente da mesma forma que o Parreira em 94, só que o Mazinho do Felipão foi o Cleberson, hoje no Flamengo e jogando muito pouco. O time foi muito mais força do que técnico. Tecnicamente muito bons eram os dois Ronaldos e o Rivaldo os demais praticamente só força. Foi uma Copa em que o vencedor foi o que menos errou ou o menos ruim.

                Felipão percebendo que a aura criada em torno do seu nome lhe daria muito maior retorno financeiro trabalhando na Europa do que se arriscando em ser desmistificado no primeiro fracasso, o que quase aconteceu nas eliminatórias, recusou-se a comandar a seleção em 2006. Coube, então,  novamente a dupla Parreira e Zagalo a incumbência de comandá-la. Apostaram todas as fichas em jogadores que eram sucesso na Europa, acreditando que a experiência seria suficiente para fazer de um grupo sem nenhum entrosamento um time vencedor. O fracasso foi tão estrondoso quanto a certeza de que não precisavam discutir qual seria a filosofia de jogo, o que priorizar, marcação ou ataque, como furar bloqueios, como envolver e controlar adversários. Enfim acreditaram que o entrosamento se daria ao natural, sem sequer ter um time como base, como referência ou pensar em alternativas, como as de Mazinho (em 1994) e Cleberson (em 2002), por exemplo.

                Finalmente a seqüência de acontecimentos desaguou naquilo que a corrente majoritária tanto ansiou: o retorno do grande comandante, o “Bernardinho” do futebol, agora não mais dentro do campo, mas comandando a equipe fora das quatro linhas.

                Estão levando azar porque a geração atual não ajuda, existem poucas opções para mexer no time, mas para quem deposita tanta confiança no grande comandante, convenhamos, é muito decepcionante. A preocupação é única e exclusivamente classificar o time para a Copa da África do Sul, na esperança que até lá surjam novos jogadores e opções para a composição de um time mais competitivo.



    Categoria: Flamengo&Futebol
    Escrito por Laelio Córdova às 21h49
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